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A Misericórdia em Aveiro
Aveiro inscrevera, na sua história de auxílio e assistência aos outros, a acção de várias instituições, fundadas por particulares, por associações profissionais (confrarias) ou por congregações religiosas, entre as quais se destaca, pela antiguidade, a Confraria de Pescadores e Mareantes de Santa Maria de Sá ou da Senhora da Alegria, fundada nos finais do século XII ou início do século seguinte; na segunda década do século XIV, foi instituída a Albergaria de Pedro Vicente e, em meados do século XV, a de S. Brás. O Hospital de S. Jacinto, ligado à acção dos Beneditinos, e o de Santa Cruz prestaram igualmente o seu contributo no desenvolvimento do auxílio à população da então vila de Aveiro.

Nela, seguiu-se o exemplo de Lisboa e, possivelmente em 1498, a Irmandade da Misericórdia constitui-se segundo Compromisso ainda nunca encontrado, mas que teria alinhado, como as suas congéneres, pelo modelo da capital, vivendo então em situação de precariedade notória. Por isso, para cumprimento dos actos de culto e de reunião de cerca de uma centena de almas, os irmãos socorreram-se do espaço da acanhada capela de Santo Ildefonso, que pouco mais tinha do que 50 m2, em dependência anexa ao da matriz de S. Miguel, situada na freguesia do mesmo nome, onde a maioria da população enquadrava senhores da nobreza e membros do clero, a que acrescia a respectiva criadagem.

No início, os rendimentos da Irmandade da Misericórdia provinham exclusivamente dos peditórios, realizados não só na vila, como nas freguesias vizinhas, os quais se saldavam em dinheiro e em géneros. Todavia, a agregação de novos irmãos trouxe para o património da Santa Casa novos réditos provenientes das pequenas ou das generosas doações. Como a obra assistencial alastrava, a construção de espaços condignos e essenciais para o seu desenvolvimento tornou-se um imperativo. Para ela, contribuiu Filipe I com um subsídio de 1.600.000 réis, o qual recebeu o provedor Pedro Tavares, em 8 de Agosto de 1599, provenientes do crescimento da renda das sisas de Aveiro.

A igreja e casa do despacho nascem a partir do lançamento solene da primeira pedra em 10 de Julho de 1600 na principal rua de então, a Rua Direita, após a demolição do casario existente. A segunda das dependências é inaugurada poucas semanas depois da Páscoa de 1609, dizendo-se a primeira missa na igreja da «Caza nova» no dia da Visitação de Santa Isabel desse mesmo ano, apesar de ainda não estar concluída. O hospital, segue a edificação das «oficinas», em 1612, desenvolvendo-se a sua construção entre 1616 e 1618. As obras vão arrastar-se por mais algumas décadas, de acordo com o maior ou menor dinamismo das sucessivas Mesas, mas particularmente de acordo com a disponibilidade financeira. Já com a dinastia de Bragança, a Misericórdia de Aveiro consegue nova subvenção régia para levar por diante a conclusão da sacristia e da capela-mor, cujas obras se reiniciaram em 1651, prolongando-se até 1655 com o trabalho do retábulo-mor. Ao longo das centúrias seguintes, os espaços foram sendo modificados de acordo com novas necessidades e dotados com mais e mais ricas ornamentações.

No início do século XIX, a Santa Casa passou pelo limiar da ruína económica. Todavia, a sua intervenção prosseguiu. Em 1934, manifestou-se a intenção de construir um asilo para idosos inválidos, em Eixo; após o Decreto-Lei de 6 de Abril de 1945, com o apoio do Governo, a Misericórdia aplica capitais na construção de um bairro de casas, o Bairro da Misericórdia, em terrenos que ficavam nas imediações do novo hospital.

O património da Santa Casa foi sempre crescendo por incorporações e por doações: o solar de Sarrazola, o andar e recheio na Rua Sebastião Magalhães Lima, a Casa do Seixal, merecendo algumas das peças do acervo de pintura, de escultura e de talha referência. Hoje, mais do que incorporar, é preciso organizar, inventariar, conservar e gerir tão vasto património, divulgá-lo segundo padrões de competência, de eficiência e de eficácia, actividades em que o actual provedor e mesa se encontram, em absoluto, empenhados.

Várias são as valências da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro. O Complexo Social da Moita (Oliveirinha) funciona como Lar/Internamento e como Centro de Dia; desenvolve actividades como o apoio domiciliário, serviços de enfermagem, emergência integrada (apoio a menores e a jovens em risco), inserção social, medicina física e recuperação, bem como turismo sénior. Na Casa de Esgueira, conhecida como Casa de Almeida D’Eça, funcionam a creche, o infantário, os ATL e a creche-família. Na Casa dos «Socorros Mútuos», promovem-se acções ligadas aos Amigos da Misericórdia e Estudos Gerais - Uma Universidade da Experiência». No complexo da Rua Direita, funcionam, no antigo hospital, a direcção e serviços ligados à administração, a casa do despacho como local de reuniões e arquivo, a casa mortuária, a igreja, aberta ao culto, e ainda o departamento de restauro, valência da maior importância para um património valioso e pouco comum entre as suas congéneres.

De 1774 a 1830, a Misericórdia foi Catedral e de parte desse período se lavrou memória numa lápide funerária, em mármore, e com os brasões dos bispos, junto ao altar-mor, do lado da Epístola. Na inscrição sobre D. António Freire Gameiro de Sousa, refere-se que foi o primeiro bispo de Aveiro e exerceu de 1774 a 1799.Era natural de Lisboa, onde nasceu a 6 de Fevereiro de 1727, e faleceu, em Aveiro, a 20 de Outubro de 1799, tendo sido sepultado em campa rasa no dia seguinte. Igualmente o segundo bispo, D. António José Cordeiro, aqui se encontra sepultado, também no dia imediato à sua morte, ocorrida em 17 de Julho de 1813. Sendo de Coimbra, onde nasceu em 18 de Abril de 1750, recebeu o episcopado em 1801.

Muitos foram os provedores que deram o seu melhor pela causa da Santa Casa, entre os quais se destacou Rui Dias Evangelho (1614-1615), considerado o grande reformador da instituição, Marques Gomes, que ocupou o cargo principal durante 26 anos e se manteve ao seu serviço durante mais de meio século, Jaime de Magalhães Lima, provedor por mais de uma década, Lourenço Peixinho, dinamizador da actividade assistencial de 1915 a 1943 e responsável pela modernização do hospital.

A Santa Casa da Misericórdia de Aveiro, como a quase totalidade das suas congéneres, já ultrapassou os seus 500 anos de existência, sólida e teimosamente ao serviço dos que passam necessidades «assy as spirituais como as Corporais».

Última actualização 10-09-19  Política de Privacidade |