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Nos 250 anos do Órgão da Igreja da Misericórdia

O órgão da Igreja da Misericórdia de Aveiro faz 250 anos (órgão de tubos datado de 1767 d.C., João Fontana, madeira, metal / policromia), tantos quantos os de Aveiro-cidade. Mas antes disso, importa assinalar os 400 anos da compra do primitivo instrumento, cerca de um ano após a inauguração do templo: “Custaram os órgãos que [Gaspar Coelho] comprou a Sebastião de Figueiredo, vinte e cinco mil rs…” (SCMA/C/06/02/12*, f.32). A criação da Colegiada em 1685 pelo legado de Isabel da Luz de Figueiredo veio reforçar a sua importância nos ofícios litúrgicos da igreja; por essa altura está registada uma reparação de certa importância, feita por Francisco Pereira (SCMA/B/01/9*, f. 69).

No ano de 1757, a aceitação do legado de um benfeitor implicava a celebração, todos os sábados, de uma missa “cantada solene com órgão e música, incenso, 4 acólitos, 3 sacerdotes no altar…” (SCMA/A/01/2*, f.30), o que implicava um instrumento adequado. A construção do novo instrumento (aproveitando materiais de um mais antigo) situa-se no ano de 1759/60 e esteve a cargo de João Fontanes de Maqueira, natural de Pontevedra e falecido em Mafra em 1770: “Dei ao Fontana à conta do órgão que está fazendo 11$250 rs” (SCMA/D/05/3*, f.4v.)
O novo instrumento coincide com a elevação de Aveiro a cidade. Mera coincidência? Não sabemos. Mas a importância da igreja seria ainda reforçada alguns anos mais tarde com a sua escolha para catedral da nova diocese. A exigência de qualidade quanto às funções do organista ficaram consignadas no cap. “Organista” do “Livro do regimento dos eclesiásticos e coro da Igreja da Misericórdia” (SCMA/H/01/1*).
Das intervenções no instrumento destacam-se as duas que implicaram uma desmontagem completa: a remodelação de 1771-72 por D. Sebastião de Ciais Ferraz da Cunha e o restauro por Dinarte Machado em 2003, com a colaboração da Dr.ª Liliana Cascais para o tratamento da caixa.

Neste curto apontamento sobre os 250 anos do órgão actual e os quatro séculos de actividade organística na Misericórdia de Aveiro, seja-me permitido sublinhar três pontos que nos dias de hoje nos questionam sobre os critérios e prioridades nesta matéria:
1.- Sendo o órgão de tubos o instrumento por excelência da Igreja Católica Ocidental, a sua presença foi considerada insubstituível pela Misericórdia de Aveiro quando construiu a igreja, na primeira década do séc. XVII. Pena é que nos tempos modernos este exemplo não seja seguido na construção das igrejas.
2.- Ao organista foi sempre exigido um perfil moral e profissional adequado à importância das suas funções nos ofícios litúrgicos: “satisfazer com perícia e prontidão as obrigações que correspondem ao seu ministério”.
3.- Finalmente, os 4 séculos de vida organística na Misericórdia registam o pagamento ao organista – como, aliás nas outras igrejas – desde 1633 até 1879, data em que foi extinto o cargo.

Domingos Peixoto
“Livro do regimento dos eclesiásticos e coro da Igreja da Misericórdia”, c. 1685 (SCMA/H/01/1)

Organista

O Exmº Snr. Provedor ellegerá para esta Collegiáda Hum Organista benemerito Eccleziastico que haja de satisfazer com perícia, e promptidaõ as obrigaçois que correspondem ao seu Menistério; e em quem reinem a modestia e mais Virtudes especiálmente recomendáveis aos Funccionários Eccleziasticos.
Elle deverá acceder á Igreja a hora competente, e antecipáda, para naõ deixár o Choro sem o acompanhamento que Ihe he devido. Servirá no Orgaõ a todas as funçois da Igreja sempre de Sobrepeliz de mangas aceáda; e muito conforme com os mais Menistros da Igreja / donde he membro; e ás justas Leis está sujeito / em tudo que lhe for annalogo.
Evitará sempre no Orgaõ sons profanos e indecentes: motettes, arias ou Cantorias que mais provoquem o rizo, que os louvores de Deus, que elle deve sollicitar no coraçaõ de todos os assistentes pela seriedáde, e mellodia dos tons, e movimentos, a que deve excitar o Orgaõ.
Estando o Organista impedido de vir á Igreja cumprir suas obrigaçois por effeitos de molestia; ellegerá pessoa habil, e idonea para satisfazer as suas faltas; em quem reinem qualidaees em tudo conformes á modestia e decencia do seu Menisterio: Cuja pessoa o Pe Capellam Prezidente lhe acceitará interinamente, quando seja de curta duraçaõ o tal impedimento; quando porem ou por doença, ou outro justo impedimento for dilatado; entaõ o conhecimento da cauza, e a acceitaçaõ do sugeito, que suas faltas preencha fica a arbitrio do Exmº Snr. Provedor.
Tocará o Orgaõ a primeiras e Segundas Vesperas, Laudes, e Missa em todas as Festividades em que no Choro todo o Officio for cantado; cujos dias no Capitulo dos Capellaes Cantores ficaõ declarádos.
Tocará o Orgaõ a Laudes, Missa e Vesperas de todos os dias Santos de Prima e Segunda Classe em que no Choro for cantado o Officio de Tercia por diante; menos nos dias festivos de Segunda Classe de N. Snrª que naõ forem dias Santos; porque nesses so deverá tocár á Missa conventuál.
Tocará o Orgaõ a Missa ?riscado: e Vesperas? de todas as Domingas do anno; excepto a primeira - Segunda - e quarta do Advento: e na Quaresma so tocará na quarta Dominga, ou em alguma festividade occorrente de preceito como a Annunciaçaõ da Snrª, ou Votiva como a Snrª das Dores: tocará tambem a Matinas dos tres dias da Semana Santa: á Missa da Quinta feira Santa: e Sabbado Santo so da Gloria por diante: finalmente como podem occorrer mais algumas occaziois de pulcár ?sic? o Orgaõ extraordinariamente; de avizo do Pe Capellam Prezidentee o vira tocár, todas as vezes que para serviço da Igreja assim for necessario.
Em todos os mais dias do anno so terá obrigaçaõ de vir tocár o Orgaõ á Missa Conventuál ?riscado: quando esta for de tres padres ao Altar?.
Última actualização 18-09-20  Política de Privacidade |